quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Primeira semana...




Faz hoje uma semana que aqui estou e por vezes ainda tenho de pensar onde estou para me lembrar que não estou a sonhar, especialmente de manhã quando acordo com o sol a entrar pelo quarto às 5 da manhã.
Há muita coisa que já posso dizer sobre a Finlândia. Acho que devo começar pela cidade. Como dá para ver na foto a cidade é muito verde, tudo é relva e arvores quando não há casas ou ruas, tudo muito bem arranjado, cuidado e limpo! O ar é puro, a água é limpa... Não há lixo em Tampere, nem se vê caixotes do lixo na rua, estão agrupados em casa de madeira espalhadas por todo o lado mas muito bem dissimuladas. Tive no outro dia numa feira, mais ou menos como as nossas, só que não havia gritos nem lixo! Uma feira sem lixo?!?!? A única coisa que se encontra por aqui são algumas beatas que no outro dia desapareceram. Falava com um português amigo meu que cá está à dois anos (o Pepe) e ele disse-me que esta cidade era a mais suja, menos "Finlandesa" e mais europeia do país. Bem, se isto é o pior que eles têm... nem vou comentar. Por cá usa-se muito aqui o tijolo vermelho e vêm-se poucas casas pintadas. A Finlândia é muito granítica e eles aproveitam isso para construir casas, passeios e até no composto do alcatrão conseguimos ver o granito. Nas ruas encontramos sempre ciclovias e vias pedestres, devidamente dividias e sinalizadas. Quando por vezes deixamos de ver essas vias junto às estradas, podemos normalmente reparar que elas seguíram outro trajecto e tem sempre ligação e inúmeras placas de sinalização com distancias (em quilómetros), muito melhor que as nossas placas informativas rodoviárias. A arquitectura da cidade é muito recta, muito simples, muito quadrada mas de uma organização notável. Quando andamos pelas ruas de Tampere (lê-se Tâmpéré) à coisas que saltam à vista rapidamente. Uma é a relativamente pouca quantidade de carros que se vão deslocando devagar, sem pressas nem acelerações e a grande quantidade de bicicletas onde novos, velhos, homens, mulheres, loiros e morenos andam sempre civilizadamente pelas pistas criadas para o efeito, tocando as suas campainhas ferozmente quando alguém (como os Tugas) vão a pé no sitio das bikes. Realmente esta mentalidade do uso das bikes é muito bom. Ainda na segunda-feira vi uma coisa impensável em Portugal: 3 raparigas, tipicamente Finlandesas (já falarei das pessoas mais à frente), todas giras, louras, altas, muito bem feitas, todas produzidas; típicas "gajas (muito) boas" a estacionar as suas bicicletas. Fiquei a olhar espantado para a situação e lembrei-me logo do Raxas (Patriarca) :D .
Outra coisa que se nota pelas ruas é o civismo. Qual o meu espanto quando percebi, que a se uma travessa ou uma avenida não tem nenhum carro a passar e está sinal vermelho ninguém passa. fica-se ali parado à espera do sinal verde. Depois do civismo, penso que o que se começa a olhar para as pessoas. Eu pessoalmente ganhei respeito pelos cabeleireiros em Portugal. Estão a ver aqueles cabelos louros pintados, tipos oxigenados que vemos em Portugal que toda a gente diz "Aquele cabelo é mesmo falso..." pois é, a verdade é que é um trabalho muito bem feito. A esmagadora maioria das pessoas aqui são louras e há tanta loira natural que parece oxigenada! Incrível! Apesar da mulher e homem tradicional da Finlândia serem pessoas grandes e de bom porte para aguentar o rigoroso inverno, a evolução do tempo trouxe mudanças até cá. O cenário que encontrei é maioritariamente aquele que todos os homens fazem dos países nórdicos: altas, magras, loiras, olhos azuis, giras e bem feitas... à que ser realista. Os homens seguem a mesma linha mas de maneira não tão generalizada. Outra coisa impressionante é o sistema, aqui a ajuda do Miguel (um Tuga que por cá conheci) e do Pepe foi fundamental para me aperceber de alguns pormenores e darem-me a conhecer este lado da Finlândia. Primeiro ponto a reter: na Finlândia não há pobres. E toda a gente me pergunta "Não há pobres? como assim?". Simplesmente não há. Os pobres são os estudantes. Passo a explicar: quando um aluno acaba o 12º ano vai para a universidade estudar, onde não há propinas e onde o estado paga para eles tirarem um curso, alem de terem inúmeros benefícios e descontos. No fim, se quiseres ser medico é na boa, se gostares de fazer hamburguer's vais, mas tens sempre o teu curso! Uma consequência disto é o elevado grau literário da população e como as aulas cá são dadas em Inglês, toda a gente fala Inglês e é comum encontrar num grupo de grandes amigos por exemplo médicos, mecânicos, arquitectos e malta dos hamburger's porque estudaram todos juntos. E sejamos realistas, isso não acontece em muito países e certamente não em Portugal. E vocês agora pensam: "então e os emigrantes?" Realmente é mais um daqueles pontos onde existe toda a diferença. Quando chegam à Finlândia vão ter aulas de finlandês e o estado paga para eles terem aulas. No fim, depois de saber falar a língua vão para o mercado de trabalho onde ganham bom dinheiro e a sociedade está tão entranhada neste sistema civilizado que abafa qualquer ideia de ser rebelde e delinquente. E muito por consequência desta parte
do sistema não há pessoas na rua, não há mendigos, não à insegurança que é algo estanho. Os Finlandeses nem sabem o que é insegurança e isso para nós é algo que estranhamos mas que rapidamente nos habituamos. Esta estranha sensação de segurança plena é muito boa. Pode-se andar na rua por onde se quiser, às horas que se quiser e não há problema... isso para mim passou a ter muito valor. Temos de dizer que tudo isto tem um preço. A Finlândia tem os impostos mais altos do mundo, mas consequentemente às elevadas qualificações literárias das pessoas o trabalho realizado cá é de grande valor acrescentado pago com elevados salários, logo podem pagar também elevados salários a actividades de menos valor. Um trabalhador sénior (com 3 a 4 anos de experiência parece que pode ganhar com facilidade 10.000€ mês e eles trabalham 6 a 7 horas por dia! E porquê que eles não reclamam dos impostos? Porque sentem que estes são bem usados, não há propinas, ninguém paga saúde neste pais, têm segurança, tudo funciona na perfeição, tem tempo de relaxar e descansar, a segurança que o sistema trás é absoluta, estão perante o pais menos corrupto do mundo!... Assim vale a pena!
Outra curiosidade é a maneira de eles cuidarem da natureza. Não fazer reciclagem na Finlândia é um atentado aos olhos dos locais. As casas não tem fogões a gás, tudo eléctrico (melhor no inverno e menos poluente), eles não abatem uma arvore se não for algo verdadeiramente incontornável. Sacos de plástico no supermercado? Muito poucos. As pessoas andam com a sua mochila ou o seu saco de pano que utilizam vezes sem conta, tudo se reutiliza, por exemplo: numa daquelas casas de caixotes de lixo à um só para papel e outro só para cartão! Compram uma lata de sumo, pagam 1.5€, se forem devolver a lata ao sitio apropriado, recebemos 0.5€ pela lata. Ou seja, pagamos o que consumimos e ainda ficam com a lata para reciclar exclusivamente para a mesma função. Isto é brutal! E o mesmo se passa para mais objectos como as garrafas de vidro (que valem mais dinheiro).
Acho que dos pontos principais em que já começo a ter uma opinião formada, falta falar de como as pessoas são por cá. Por cá as pessoas são como o tempo que por cá faz. Frias e rigorosas. Embora tenha conhecido até agora poucas pessoas Finlandesas, estas são distantes, são mais individualistas, no sentido verdadeiro em que vivem as coisas para elas mesmas, de poucos amigos mas quando os tem parece que são leais, verdadeiros e para a vida toda. Aqui vive-se a verdadeira igualdade de direitos: elas tem os mesmo direitos que eles, ganham o mesmo que eles e com isso perde-se o lado bom, na minha opinião, das diferenças entre as mulheres e os homens. "Elas entrarem primeiro que os homens na porta? oferecer presentes?
dizer coisas bonitas? serem românticos? para quê? elas tem os mesmo direitos que eles, ganham o mesmo que eles... todos são iguais. Eles nunca dizem "És bonita" por exemplo, parece haver praticamente nenhum mimo, pouco carinho... o que na minha opinião é mau. O rigor nas pessoas de cá é impressionante. Eles quando se metem numa coisa é para levar até ao fim, a todo o custo e sair perfeito. Tem de ser os melhores médicos, mas se forem fazer hamburguer's querem ser os melhores a fazê-los. No fim de semana encontrei uma malta a passar reagge e fiquei espantado com a qualidade do reagge deles. Questionei o Pepe e ele deu-me a explicação: O Finlandês quando vai fazer qualquer coisa mete-se de cabeça e não se contenta sem ser com o melhor. Assim, vão 1 ou 2 anos para a Jamaica aprender com quem sabe verdadeiramente, volta, compra uns Mac's mais uma electrónica que precisa e faz o melhor reagge! o mesmo se passa com as vertentes da musica, electrónica, dança, qualquer coisa! e podem porque existe dinheiro para isso. Acho que posso definir os Finlandeses como pessoas fechadas com horizontes muito abertos.

No fim agora podem pensar: "Então a Finlândia é melhor que Portugal? Será o melhor pais do mundo? Será que estás no paraíso?" Trata-se de um pais diferente, tem coisas boas, tem coisas más e ainda nem falei do tempo que aqui faz, que para já até estou a gostar, principalmente do céu que me fascina por completo, mas no inverno o frio é imperador aqui. Acho que Portugal tem muita coisa boa mesmo, tem muita coisa má, mas a cima de tudo é a minha terra, foi onde nasci, foi onde cresci e me encontrei como pessoa, tenho lá amigos família e nunca deixará de ser para mim Portugal! Acho que isto pode ser fantástico para umas pessoas e horrível para outras, trata-se de uma questão de prioridades. Eu pessoalmente gosto bastante e acho que todos deveriam ter ou criar a oportunidade de vir ver com os próprios olhos tudo isto e todos outros países que possam. Todos os países têm coisas boas que poderemos apreciar e aproveitar. Eu pessoalmente estou apaixonado por este.

Abraço e beijos para vocês,
Até um dia destes

4 comentários:

Pedro Amaro disse...

estou mesmo a ver q tenho de te ir visitar depressa.. :) grande abraço

Tsnacio disse...

Ainda bem q tas a curtir, master.
Enfase em "todos deveriam ter ou criar a oportunidade de vir ver com os próprios olhos tudo isto e todos outros países que possam." ;)

Aybara disse...

Muito bom! Estou a ver que já não voltas. :p

Até breve.

Anónimo disse...

wow
eu q estava com dúvidas entre fazer ou não Erasmus na Finlândia..!

mana do tsnacio ;)